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O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que vê a inflação ‘mais persistente e intensa’, mas reafirmou que tendência de alta no Brasil é temporária. O posicionamento já havia sido divulgado em comunicados oficiais da instituição.

A declaração foi dada durante o evento “Perspectivas Econômicas e de Investimentos para o Brasil em 2021”, organizado pelo Banco Daycoval. Mais cedo nesta terça-feira (30), a Fundação Getúlio Vargas informou que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou a alta para 2,94% em março, após avançar 2,53% em fevereiro – pressionado pelo aumentos dos combustíveis. A taxa foi a maior para meses de março desde 1994, ano da implantação do real.

Campos Neto reconheceu, durante videoconferência, que esse movimento de alta é “mais persistente e intenso e começa a se propagar pela cadeia, influenciando os núcleos, acima dos patamares compatíveis com a meta [de inflação]”.

Em meados deste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a taxa básica de juros de 2% para 2,75% ao ano, acima da expectativa do mercado financeiro. Foi o primeiro aumento da taxa Selic em quase seis anos, que aconteceu em um cenário de alta dos alimentos e dos combustíveis, aliado à disparada do dólar – que retroalimenta a inflação.

Segundo Campos Neto, o BC avaliou, ao subir o juro para 2,75% ao ano em março, que um “movimento mais forte e mais próximo” pode gerar uma elevação total menor. O mercado estima que o BC vai continuar subindo a taxa nos próximos meses, atingindo 5% ao ano no fim de 2021 e 6% ao ano no fechamento do ano que vem.

“Estávamos vendo uma disseminação tanto na cadeia de alimentos, quanto de materiais, em parte ainda por um grande movimento que entendemos que é temporário, mas entendíamos que, aliado ao fator de alta na inflação global, e alta de commodities, era importante que se freasse esse movimento o mais rápido possível”, disse.

O Copom fixa a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação, olhando para o futuro, pois as decisões demoram de seis a nove meses para terem impacto na economia. Neste ano, a meta central é de 3,75%, mas o IPCA pode ficar entre 2,25% a 5,25% sem que a meta seja formalmente descumprida. Para 2022, a meta central é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Alta do dólar

Sobre a disparada do dólar, um dos vetores da inflação mais alta, o presidente do Banco Central avaliou que esse fenômeno também está relacionado, entre outros fatores, com a falta de confiança dos investidores no processo de ajuste das contas públicas brasileiras.

“Um fiscal pior começa a ter mais desvalorização, mas vem junto com movimento de alta das ‘commodities’ [produtos básicos com cotação internacional, como alimentos e petróleo]. É uma das primeiras vezes que a gente tem commodities subindo [em países exportadores de commodities, como o Brasil] com câmbio não apreciado, e o caso do Brasil é mais extremo porque depreciou [dólar subiu]. Isso significa que tem um peso fiscal que está contrabalançando o peso de ser exportador de commodities”, disse ele.

Questionado sobre o que tira seu sono, Campos Neto citou o “descontrole fiscal” e preocupações sobre o processo de vacinação da população para possibilitar a reabertura da economia com segurança.

“Para todo o nosso cenário se concretizar [de alta de 3,6% no PIB em 2021], precisamos de uma reabertura da economia. Para isso, precisamos de uma vacinação que seja eficiente para que as pessoas voltem às suas vidas normais (…) A segunda coisa que me tira o sono é o descontrole fiscal. É muito difícil segurar o monetário quando o fiscal está descontrolado”, declarou.

Ainda, segundo Campos Neto, o Brasil é o pais mais endividado do mundo, perdendo apenas para Angola e Líbia. Por isso, afirmou que é preciso um plano de “consolidação fiscal”, ou seja, de ajuste das contas públicas. “Nesse sentido, o BC não é o piloto, é passageiro. Se a gente não conseguir atingir um equilíbrio fiscal, o lado monetário [alta dos juros] fica bem menos eficiente”, acrescentou.

Sistema de pagamentos do Whatsapp

O presidente do Banco Central também disse que, em sua visão, a “corrida do ouro”, em termos de inovações financeiras, vai ser juntar conteúdo, mensagens e sistemas de pagamentos.

“Se eu tenho isso, o Whatsapp vai ser aprovado em breve para fazer pagamentos no Brasil. Vejo um casamento entre mídia social e o mundo de finanças, controladores tem de entender como regular, enfrentar e o que significa para competição na sociedade”, declarou.

No mês passado, o WhatsApp informou que conversa com o Banco Central para ser aprovado como um “iniciador de pagamentos” para habilitar o seu sistema de transações financeiras no aplicativo. Esse modelo de instituição é nova, anunciada pelo BC em outubro de 2020.

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