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Para Investidores e Empreendedores

Quando nos deparamos com várias alternativas, usualmente, temos dificuldade em selecionar qual a melhor e não tomamos qualquer atitude. Isto vale no supermercado e em finanças não é diferente.

Tenho certeza de que você se preocupa com sua família e com o futuro financeiro dela caso uma fatalidade ocorra com você.

No entanto, quando se trata de uma decisão que terá impacto de longo prazo, queremos sempre tomar a melhor decisão. Mas esbarramos em uma infinidade de opções. Com medo de errar, acabamos por adiar esta escolha.

Não tenho a pretensão de esclarecer todos as alternativas de proteção para sua família em um único texto. No entanto, explicarei a dúvida do título.

É melhor um seguro de vida temporário ou vitalício?

Esta é uma pergunta que recebo com grande frequência. Vou explicar quais critérios você deve utilizar para responder. No entanto, a resposta final exige uma parcela de subjetividade.

A dúvida entre o seguro de vida vitalício e o temporário ocorre, pois o primeiro tem um custo mais elevado, mas por outro lado oferece ao segurado uma proteção por tempo mais extenso (vitalícia).

A comparação não deve ser simplesmente pela diferença de preço, mas, também com o objetivo desejado e com o que você deve fazer com a diferença de preço e com o que ela pode proporcionar.

Vamos começar com os critérios objetivos. Para isso, vou colocar um exemplo.

Considere um indivíduo com 40 anos de idade, cujo único filho tenha apenas 5 anos. Assuma que o capital segurado desejado seja de R$ 1 milhão. Suponha, também, que o prazo adequado para proteção financeira do filho seja de 20 anos, ou seja, até ele ter 25 anos de idade.

Podemos colocar aqui duas alternativas.

1 – O segurado poderia fazer um seguro vitalício pagando anualmente R$ 43.855,00 por 10 anos;

2 – O segurado poderia fazer um seguro temporário pagando anualmente R$ 2.901,81 por 20 anos.

A princípio, pode parecer que a escolha é óbvia, ou seja, pela alternativa 2, que é o seguro temporário, pois parece mais barata. No entanto, não é bem assim.

Qual objetivo você deve considerar quando for escolher entre o seguro vitalício ou temporário?

O seguro vitalício tem uma função adicional à de proteção familiar que é a de sucessão.

Como o próprio nome diz, o seguro é válido durante toda sua vida. Portanto, ele tem a função de proporcionar uma herança para seu beneficiário.

Já o seguro temporário, tem a finalidade apenas de fornecer cobertura pelo período escolhido. Assim, terminado o período, encerra-se a proteção familiar.

Deste modo, o seguro temporário deve ser selecionado se deseja uma proteção até o momento em que você acredita que já tenha construído um patrimônio para garantir a segurança financeira de sua família. Alternativamente, até o momento em que acredita que não deveria ser mais responsável financeiramente por estes, ou seja, até seus filhos se tornarem adultos.

Quando o seguro temporário em conjunto com uma previdência é mais vantajoso que o seguro vitalício?

Para entender a equivalência das duas alternativas de seguros, vamos fazer o seguinte exercício.

Considere que você investe em uma previdência a diferença entre os dois prêmios, pelos 10 anos que paga o seguro vitalício. Ou seja, você poupa R$ 40.953,19 (= 43.855,00 – 2.901,81).

Suponha que esta previdência tenha uma rentabilidade equivalente a uma taxa líquida de IR de 3% ao ano acima da inflação. Lembrar que o seguro é isento de IR, mas uma previdência não é.

Assim, levaria pelo menos 15 anos, depois que terminar de pagar o seguro temporário de 20 anos, para que este junto com a previdência ultrapasse o valor de R$ 1 milhão de herança do seguro vitalício.

Neste caso, apenas depois que o indivíduo no exemplo acima superasse os 75 anos de idade, o seguro temporário junto com uma reserva em previdência ultrapassaria o seguro vitalício.

Qual vantagem adicional o seguro de vida vitalício possui?

O seguro vitalício guarda uma vantagem adicional. Em alguns estados da federação, como o Rio de Janeiro, já existe disputa para se taxar herança na forma de previdência. Já o seguro é considerado livre de ITCMD.

Assim, se em algum momento a previdência passar a ser tributada, o seguro vitalício como veículo de sucessão se torna ainda mais vantajoso.

Perceba que a escolha entre as duas alternativas reside principalmente no objetivo pelo qual deseja fazer o seguro. Se a finalidade é de proteção familiar com sucessão, o seguro vitalício deve ser considerado.

Caso o objetivo seja apenas proteção por um tempo, o seguro temporário deve ser o escolhido.

Para que objetivo você não deve contratar um seguro vitalício?

Um ponto muito importante a considerar é a não escolha do seguro vitalício se o objetivo for ter uma proteção e uma poupança para você.

Já recebi questionamentos se o seguro vitalício seria uma alternativa de poupança, pois ele pode ser resgatado.

No entanto, se o objetivo for criar uma reserva financeira para você conjuntamente com a característica de proteção familiar, uma previdência em adição ao seguro temporário é uma solução mais vantajosa, pois a todo momento terá uma reserva de retirada maior.
O seguro vitalício é melhor que imóvel como herança?

Já vi algumas famílias cogitarem comprar um apartamento para deixar para os filhos como herança.

Não sou fã desta alternativa, pois pode estar deixando como herança uma briga entre membros da família ou um problema para seu herdeiro.

Muitas vezes um dos filhos não deseja vender o imóvel e a briga está armada na família.

Deve ser considerado que um imóvel vazio é um custo e se deteriora.

Pode ocorrer de o arrastar da disputa familiar ou do inventário levarem a uma dívida de condomínio que acaba por deteriorar o patrimônio.

Como veículo de sucessão e proteção o seguro vitalício consegue ser muitas vezes mais eficiente que um imóvel. Primeiro em termos de blindagem patrimonial. Segundo, não é trivial encontrar um apartamento pelo qual você paga R$ 438 mil (= 10 * R$ 43.855) e logo em seguida ele vale mais que o dobro e este valor ainda é corrigido pelo IPCA.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor